quarta-feira, 30 de março de 2016

Encontros do Grupo de Estudos Educação Libertária reiniciam nessa semana



O Grupo de Estudos Educação Libertária de Pelotas reiniciará seus encontros nesta quarta-feira dia  06 de Abril, com uma Proposta nova de dinâmica e sob a Coordenação do Coletivo de Experimentações Libertárias- CELIBER/Pelotas. 

A proposta para este semestre será a realização de Estudo temático e tradução simultânea. A dinâmica será a realização de estudo de textos do autor escolhido e ao mesmo tempo realização de sua tradução. O estudo e tradução permitirá um exercício de análise coletiva do pensamento do autor e ao mesmo tempo teremos um material de divulgação da sua contribuição teórica.
Ao  final do semestre os textos serão editadas em cadernos produzidos pelo próprio CELIBER, ficando disponível como material de estudo para as bibliotecas autogestionárias.

Os encontros são abertos e gratuítos para todXs interessados nesse exercício de Educação Libertária, autogestionário e baseado no apoio mútuo e participação espontânea.

Os encontros do Grupo de Estudo se darão neste semestre em dois locais alternados: Na Biblioteca José Saúl na Okupa 171, e na Biblioteca da  OCA- Ocupação Coletiva de ArteirXs.


Biblioteca Autogestionária José Saul- OKUPA 171- Av. XV de Novembro, 171, Centro- Pelotas




Biblioteca Autogestionária da Ocupação Coletiva de Arteirxs-OCA- Rua Mariana, 1, Porto- Pelotas.



Autor e tema do Semestre: 




Neste semestre propomos o estudo da obra de Pedro Garcia Olivo, iniciando com capítulos de seus livros e artigos mais recentes.

Quem é Pedro Garcia Olivo? 

Nascido em 1961 em Cartagena na Espanha, licenciou-se em Geografia e História, tendo frequentado cursos de Filosofia. Doutorou-se em História Moderna e Contemporânea pela Universidade de Múrcia/Espanha. Viveu na Nicarágua Sandinista e na Hungria do socialismo tardio dos anos 80. Trabalhou como professor e a partir dessa experiência desenvolveu uma crítica radical da escolarização e elaborou suas teses anti-pedagógicas. Abandonou a docência na Universidade e tornou-se pastor de ovelhas e vive hoje em uma aldeia nas montanhas, escrevendo livros sobre Educação e anti-pedagogia. Escreveu as obras : “El educador Mercenário”; “El irresponsáble”, “Cadáver a la intempérie”; “La bala y la escuela”, “Despertar”. “El dulce Leviatã” entre outros diversos artigos. Toda sua obra está disponível na internet de forma livre e gratuíta. 


Os Escrítos de Garcia Olivo




Como Nietzsche que dizia que seus escritos eram "para todos e para ninguém", Garcia Olivo escreve contra o seu tempo, o nosso tempo. São, portanto, escritos extemporâneos, intempestivos. 

Pode-se dizer que sua escrita é “não apta para qualquer um”, como gostava de advertir Herman Hesse a propósito do seu "El lobo estepario". Pode ser considerada como escrituras afastáveis. Escrituras que para alguns é necessário se “distanciar”, “evitar”; escrituras que das quais é necessário proteger-se, sabedores de que nasceram com a vontade de agredir(“quem quer que seja, defende-te, pois vou dirigir contra ti uma profunda e terrível acusação”, se deixa claro na apresenttação que ele faz  de algumas de suas obras); escrituras das que sempre é factível “esgueirar-se”, se colocar a salvo, como não ocorre com essas outras literaturas “inesquiváveis” , quase “inevitáveis”, que caem sobre nós com a desfaçatez do dilúvio ou da geada e que tão difícil resulta não ler – best-sellers, ocorrências de autores da “moda”, montagens editoriais, obras complacentes deste ou daquele “escrevinhador” mimado pelo mercado e que tão comum no campo da Educação. Garcia Olivo coloca a educação e seus tótens como a Escola e o professor no "tribunal", ao realizar sua genealogia, ou seja, discutindo as condições que possibilitaram o seu surgimento e o que representam hoje, ele atinge questões muito caras para os envolvidos. Ele retoma a crítica radical de Ivan Illich sobre a escola e a insere na crítica da cultura ocidental ao estilo de Nietzsche e outros filósofos da suspeita. Uma leitura para para incomodar, tirar da zona de conforto e da naturalização dos absurdos que caracterizam nossa época.





Suas obras, erigidas como artigos de combate, armas arrojadas, de um  “anti-professor” inexemplar, que  armado de desespero, conseguiu escapar da docência. Quase desde todos os registros conhecidos(teoréticos, coloquiais, filosóficos, poéticos,…) o autor tem sido forçado a “falar” daquilo que, talvez, não lhe permitia “viver”. Esta surpreendente “heterogeneidade” nos modos textuais, conciliada com a centralização teimosa em um objeto único, assombrado- a educação-, constitui quiçá a característica mais chamativo da sua obra. 



PROGRAMAÇÃO DO GRUPO DE ESTUDOS PARA O PRIMEIRO SEMESTRE-2016




Encontros Quinzenais às quartas-feiras, das 17h às 19h.

Primeiro Encontro: Dia 06 de abril ( Local : Okupa 171) 
Tema : Exposição da Obra de Pedro Garcia Olivo

Texto : Introdução do “O Educador Mercenário” . Para una crítica radical a las escuelas de la democrácia.

Segundo Encontro; Dia 27 de abril  ( Na OCA) 


Texto: “Desescolarizar el pensamiento para pensar la Escuela: El oficio del Profesor: ¿infanticidio o invención de la infancia?”

Terceiro Encontro: 4 de maio ( OKUPA 171) 

Texto : “El Enigma de la Docilidad” ( Primeira parte)


Quarto encontro : 25 de maio (OCA) 

Texto : “NO SÓLO HAY ESCLAVOS: A propósito del modelo indígena mesoamericano de democracia directa”

Quinto encontro : 8 de junho ( OKUPA 171)

Texto: “DEL POGROM AL PROGRAMA: Hipocresía del interculturalismo y aniquilación de la gitaneidad”

Sexto encontro : 22 de junho ( OCA)

Texto : “Crear, luchar, vivir”





Cartaz da Palestra que Pedro Garcia Olivo fará em maio 




Artistas como Stalin

Nota contra os reformadores de seus semelhantes

Pedro Garcia Olivo

Não há cérebros clarividentes, intelectos privilegiados, que saibam o que está errado no mundo antes ou melhor que os outros e para os que, por conseguinte, seria conveniente (desde um palco escolar, um púlpito Eclesiástico, um megafone na assembleia, um escritório do Sindicato, o secretariado-Geral do partido, etc) corrigir a mentalidade das pessoas, alterar o seu pensamento e sua sensibilidade, para levá-las aos postos de saída da transformação social. Não há "demiurgos". Nesse sentido, não há aristocracias do saber e da virtude capacitadas para a reforma moral da população, elites do conhecimento e da crítica destinadas, de algum modo, a reinvenção do ser humano...

Mas esse preconceito, esse postulado antiquíssimo, que encontramos em Platão  e no cristianismo, que estragou o discurso do iluminismo e persiste em seus descendentes degenerados (liberalismo, fascismo e comunismo). Essa ideia de que incumbe a uma minoria de homens adultos intervir na consciência dos outros, particularmente no espírito e nas inclinações dos jovens, bisturi na mão, ou chave inglesa na mão, extraindo e implantando, afrouchando e apertando, reparando , corrigindo, desfazendo e refazendo, extirpando vícios e defeitos e enchertando saúde e valores; essa suposição " Pastoral " que divide o mundo em domesticadores e domesticados, subsiste hoje nos bastidores indigno do progressismo pedagógico, na prática " Libertária " dos professores nominalmente anticapitalistas, no desenrolar quotidiano da "nova política". Nos baixos fundos psicológicos dos ativistas que foram confiados à "construção do sujeito coletivo". Na sala de máquinas do trabalho social e da educação social, na ética do trabalho dos "melhores" profissionais (médicos, jornalistas, juízes, políciais,...), E, particularmente, de uma maneira que parece hoje feio sublinhar, no âmbito da criação e da arte. Em tanto crítica radical de todas as figuras do elitismo e do dirigismo moral e intelectual, a antipedagogía olha de relance para os artistas...

E é assim, é que salta aos olhos que temos muitos, muitíssimos artistas como Stalin. Desde que, na modernidade, o arte tomou por bandeira a transformação do mundo, os criadores se tornaram insuportáveis aspirantes a "demiurgos". Procurando, com as suas obras, influenciar o espectador, moldar o público, preparar as inteligências e as afetividades para a melhoria da humanidade. 

Supõe-se que eles sabiam que eu não andava bem nesse mundo, o tipo de sujeito apto para reverter a situação e o modo de elaborar através das suas propostas estéticas. Ou que os seus exames avançavam, pelo menos, nesse sentido, que se pode designar "Re-Educador" (pensemos, por referir um caso limite, na Bauhaus). Dói examinar os manifestos das sucessivas " Vanguardas " do século xx e avisar como é editada e reeditada essa constrangedora pretensão, admiravelmente ilustrada por J. C. Argan em seu monumental " Arte moderna ". 

É isto o que sobre o espírito dos nossos mais aplaudidos artistas encontramos a personalidade de Stalin... O ditador soviético também estava convencido de que algo não estava em ordem na cabeça dos seus súditos, no coração dos russos e dos não russos; também se esforçou por cauterizar essas partes putrefatas (ou "contaminadas", ou "alienadas", ou "primitivas", ou "Pré-críticas").

 Essas deformações ou malformações enquistadas na subjetividade das pessoas que queria emancipar; também se comprometeu no projeto "Eugenia" da forja de um novo homem para o mundo novo. Dispôs, para  efeito, do aparelho do Estado, do sistema de trabalho e dos empregos sociais, com os educadores em primeiro lugar, a Escola de Makarenko, e os artistas não muito longe, com o seu próprio movimento vanguardista conscientizador, o Chamado "Construtivismo".
"artistas como Stalin" povoaram ontem nossos museus, nossas enciclopédias de história, nossos manuais universitários... E hoje, nas ruas ou pelas galerias, com os suas " Instalações " e as " performances ". 

O velho Pikmin Swagger, meu filho biológico para o pouco que conte o sangue e o meu pai espiritual em tantas outras coisas decisivas, levava tempo me repreendendo, no que diz respeito à música, seu campo: " Devemos dar as costas ao rap caduco dos curadores, dos pregadores, dos amigos do sermão, dos reformadores de seus semelhantes, como Nach Scratch ou o Choujin. Há que dizer outras coisas e dizer de outro modo ".

Quando o investigador europeu olhou para fora de seu próprio covil geográfica e cultural, acompanhado de missionários, professores e soldados, descobriu que não havia " Arte " (no sentido ocidental do termo) em todas as partes e que o " Artista ", tal como se conhecia em seu continente, não se encontrava em nenhum lugar... Nós temos artistas como Stalin, professores como Stalin, médicos como Stalin, políticos como Stalin, escritores como Stalin... Ou como Obama, cujo perfil não muda os dados deste diagnóstico, pois podemos ver no demagogo Ianque uma réplica "Adoçada" do soviético.

Face aos que consideram que "a arte está morta" há aqueles que mantêm uma tese menos otimista: "a arte vive, mas infelizmente". A Indústria cultural permite que os "artistas como Stalin"  procurem os feijões (ou seja, o apartamento, o carro, a fama, a cocaína e não sei quantas merdas mais, incluindo muitas vezes o suicídio) obrigado ao consumo baboso que fazemos de suas mercadorias ególatra-filantrópicas. 

Separada da praxis, autonomizada, pendente só de sim e estranha ao mundo dos que resistem no concreto e no que é mundano, a obra de arte contemporânea obterá o apoio e o sufrágio das administrações, dos governos, embora contenha uma rejeição ou uma negação extrema do estabelecido, embora se afinque no escândalo e na provocação, como notava cedo Theodor Adorno. 

A um e outro flanco desta "Sociedade de mercado" que tudo engole, entre os vendedores como entre os compradores, do lado dos artistas o mesmo que da parte do público, assenta a mesma toxicopedagogía...

Concluo este rascunho, fundamentado em parte pela recepção de alguns textos de Boris Groys, recordando, como muitas outras vezes, e de certeza que com incorreções, à Pila Records, grupo punk prévio ao "Punkismo de postal" que ele mesmo denunciava, sempre nas antípodas dessa sorte de novo "despotismo esclarecido" que nos assalta lá onde, em termos de Ivan Illich, são citados, abraçam-se e fundem-se uma Instituição, uma profissão e uma mente escolarizada:

Vieste para me salvar,
Da outra parte do mundo;
Me traz a salvação,
Mas isso é por sua conta e risco.
Diz-me: quem diabos  te mandou?
Um pontapé nos tomates
É o que te posso dar.
Vai para salvar o teu velho,
Só queres cobrar!
Guru!

Pedro.

terça-feira, 15 de março de 2016

Lançamento mundial da revista antimilitarista “Rompendo Fileiras"




Lançamento mundial da revista antimilitarista “Rompiendo Filas”

Nesta quarta-feira, 16 de março, organizações de toda América Latina e do Caribe fazem o lançamento internacional da revista “Rompiendo Filas” (Rompendo Fileiras), da Rede Antimilitarista da América Latina e do Caribe, Ramalc.

O QUE É: “Rompiendo Filas” é o chamado e nome da publicação que a Rede Antimilitarista da América Latina e do Caribe lançará internacionalmente em seu primeiro número nesta semana. A publicação responde ao desafio de ligar reflexão, experiência e possibilidade de mudança, e para isso faz um diálogo de lugares e vozes comprometidas com o antimilitarismo na América Latina. A publicação é semestral e está conformada de escritos narrativos, ensaios e artigos que refletem cotidianidades e pontos em comum da resistência ao militarismo na região.

“Rompiendo Filas” é de distribuição gratuita e de realização coletiva, livre e voluntária. Ela está disponível em formato PDF no sitewww.ramalc.org e em papel de acordo com as iniciativas locais.
Ramalc está composto por indivíduos/as, grupos antimilitaristas e sociais que concordam que a resistência ao militarismo deve ser civil, não promovendo nenhum tipo de atividade de cunho militar. 

Neste número está publicado o artigo de Marcela Paz, "La Escuela como dispositivo de perpetuación del militarismo". 

Marcela é mestranda de Memória e Patrimonio da UFPel e integrante do Grupo de Pesquisa Memória, teoria e prática de Educação Libertária da UFPel.

A Ramalc é uma coordenação que promove - através de encontros e treinamentos não-violentos – o antimilitarismo na sociedade, questionando a estrutura militar e as práticas de dominação.
QUANDO: Quarta-feira, 16 de março, a partir das 19 horas
QUEM: Antimilitaristas de toda a América Latina e do Caribe
Contato e informações: ramalc@riseup.net

Grupo de Estudos Educação Libertária agora integra o Projeto MULTIVERSIDADE AUTOGESTIONÁRIA DE APRENDIZAGENS LIVRES DA OCA

O Grupo de Pesquisa e Estudos  sobre Educação Libertária reinicia seus encontros nesse semestre incorporando-se como uma das ativida...